O grande guitarrista Steve Stevens, virtuosismo e sensibilidade pop na dose certa

Steve Stevens nasceu Steven Schneider, em 5 de maio de 1959, no bairro do Brooklyn, em Nova York e formou-se em música, com especialização em guitarra, na renomada escola Fiorello H. LaGuardia School Of Performing Arts (NYC) em 1977. Dois anos depois, integrou sua primeira banda profissional – One Hand Clap, apresentando-se nos clubes de Long Island e, mais tarde, a Fine Malibus da cidade de Nova York. Jimmy Miller, produtor dos primeiros álbuns dos Rolling Stones, gostou do grupo e decidiu levá-los para o estúdio Compass Point, em Nassau, Bahamas. O disco, entretanto, nunca foi lançado, o que levou o guitarrista a deixar a banda. A primeira gravação a chegar no mercado ocorreu em 1981, quando participou do disco solo Let Me Rock, de Peter Criss, ex-baterista do Kiss, que incluiu uma composição de Stevens – First Day In The Rain.

No mesmo ano, Ric Aliberte, empresário do Fine Malibus, apresentou Stevens a Billy Idol, que havia deixado a Inglaterra por Nova York, e negociou a participação do guitarrista na banda de Idol. A combinação do punk de Idol com o hard rock de Stevens, a dance music e a produção musical de Keith Forsey, deu muito certo: levou esses três ao sucesso e, com o benefício do fenômeno MTV, transformou Idol em superstar.

Nessa fase Stevens gravou com Idol três discos em que compôs e tocou, não só guitarra mas também teclados e sintetizadores. O título Billy Idol (1981) atingiu Disco de Ouro em 1983 e Rebel Yell (1983) chegou ao sexto lugar no US Billboard 200. Foi na música título desse disco em que Stevens registrou pela primeira vez seu famoso efeito ray gun, criado por acidente quando, ao brincar com um pedal de delay novo, descobriu que ele gerava uma oscilação que chamou de ray gun em referência ao barulho emitido pelas armas laser dos filmes de ficção científica, uma paixão do guitarrista.

Mais tarde, Stevens desenvolveria a tecnologia para incorporar o efeito a uma guitarra Hamer assinada por ele. Ainda em Rebel Yell, Stevens aplicou outra técnica que se tornou também sua marca, que é tocar simultaneamente as cordas graves e as agudas da guitarra, utilizando a palheta para as cordas graves e os dedos médio e anelar da mão direita para puxar as cordas agudas (Mi e Si). Ele emprega a mesma técnica na música Dementia do disco Flamenco.A.Go.Go (1999).

Introdução de Rebel Yell

Trecho de Dementia

Continuação de Dementia

Para Stevens, foi apenas com o single Eyes Without A Face, lançado em maio de 1984, que a dupla realmente atingiu o sucesso. Do terceiro disco, Whiplash Smile (1986), saíram três singles – To Be A Lover, Sweet Sixteen e Don’t Need A Gun – tendo o primeiro chegado ao sexto lugar do Billboard nos Estados Unidos. Seja pelas diferenças musicais entre Idol e Stevens ou por ciúmes do primeiro em relação ao destaque que o segundo começou a ganhar, os dois músicos se separaram por vários anos.

Hamer SS-1

Hamer SS-2

Na época com Billy Idol, Stevens usou principalmente a guitarra Hamer. A fábrica criou um modelo especialmente para ele em 1984, o Steve Stevens I (SS-1), com corpo talhado em mogno hondurenho (madeira valorizada por seu timbre e ressonância), uma ponte Floyd Rose, um captador humbucker e dois single coil. A base para esse instrumento foi a Gibson Les Paul Jr. (modelo usado por Pete Townshend, do The Who, e Billy Joe Armstrong, do Green Day) e a Jackson/Charvel “Glow”, que mais tarde foi o ponto de partida para o desenvolvimento das Washburn assinadas por ele. Na carreira solo voltou a usar também a Gibson Les Paul, geralmente com acabamento preto brilhante.

Em 1987, Stevens chamou a atenção de outro astro pop, Michael Jackson, que o convidou para tocar a música Dirty Diana no álbum Bad. No clipe dessa música, Stevens usa a Hamer SS-3 que tem luzes que pulsam em sincronia com o efeito ray gun. Stevens desenvolveu essa tecnologia na sua Hamer SS-2, que pode ser vista na apresentação do Live AID, quando toca Revolution, dos Beatles, com os Thompson Twins e Madonna.

Ainda em 1987, Stevens ganhou um Grammy na categoria Pop Instrumental Performance pela colaboração com o tecladista Harold Faltermeyer na música Top Gun Anthem, da trilha sonora de Top Gun – Ases Indomáveis, que permanece no número 1 do The Billboard Top Pop Albums durante 5 semanas.

Em 1989, lançou seu primeiro álbum solo, Atomic Playboys, bem recebido pela crítica especializada. Em 1991, criou com Michael Monroe, ex-vocalista do Hanoi Rocks, a banda Jerusalem Slim e gravou CD com o mesmo nome, lançado no Japão. A banda, entretanto, não vingou.

Em 1993, Stevens trabalhou com a fábrica de guitarras Washburn para criação das guitarras Steve Stevens Signature Series. Foram feitas três versões: duas produzidas no atelier de Chicago, dedicado à construção de instrumentos personalizados – a SS80 e a mais rara SS100 – e a terceira, SS40, fabricada em grande escala na Coréia. Nesses instrumentos os captadores são angulados, fazendo referência a Jimi Hendrix, que invertia a posição da guitarra construída para destro, adaptando-a à sua condição de canhoto. A SS80 e a SS100 trazem os captadores Seymour Duncan JB Trembucker. O modelo principal da SS100 tem no corpo glow-in-the-dark uma aerografia de Steve Driscoll com a imagem do Frankenstein encarnado no cinema por Boris Karlof.

Stevens desenvolveu também o modelo Barbarella da SS100, com o efeito ray gun e a luz que pisca. O trabalho de pintura de Jim O’ Connor incorpora um dos pôsteres do filme da heroína criada por Jean-Claude Forest.

Stevens acabou ficando só um ano com Washburn. Sua saída foi atribuída extra-oficialmente à sua exigência em acompanhar o controle de qualidade dos instrumentos que levavam sua assinatura, o que não era possível com instrumentos construídos fora dos Estados Unidos, como era o caso da SS40.

Em 1992, o vocalista Vince Neil, que acabara de deixar o Mötley Crüe, entrou no estúdio para gravar a música You’re Invited (But Your Friend Can’t Come) para a trilha do filme Encino Man (Homem da Califórnia). No ano seguinte, Neil fechou um contrato de 4 milhões de dólares com a Warner Bros. para a produção do disco Exposed e novamente convidou Stevens, que gravou as guitarras e o baixo. Exposed chegou à décima terceira posição do Billboard americano. Stevens viajou em turnê com Neil para lançar o CD, abrindo para Eddie Van Halen, que o introduziu à guitarra Ernie Ball Music Man EVH.

Em 1994, Stevens teve uma breve reunião com Billy Idol para gravar a música Speed para a trilha sonora do filme homônimo (Velocidade Máxima).

Em 1997, Stevens se juntou com o baixista Tony Levin (da banda de Peter Gabriel e do King Crimson) e com o baterista Terry Bozzio (do grupo de Frank Zappa) no projeto Bozzio Levin Stevens e gravaram o disco instrumental Black Light Syndrome. Esse CD mostra a versatilidade de Stevens para tocar em vários estilos além do rock, sendo o flamenco um favorito do guitarrista.

Stevens e Billy Idol se reuniram novamente em 1999 para turnês nos Estados Unidos e na Austrália e para gravar os programas Storytellers e Behind The Music para a emissora VH1. Em Storytellers, eles contam a história por trás de cada música antes de tocá-la em versão acústica, à exceção das últimas músicas, que são plugadas. Essa volta foi um sucesso e a parceria com o produtor Keith Forsey dura até hoje, tendo resultado no lançamento de coletâneas e do CD Devil’s Playground, com músicas inéditas em 2005.

A paixão pela música flamenca começou com um dos primeiros professores de Stevens, que era um guitarrista flamenco, e foi reforçada na convivência com o colega com quem tocava no colégio, cujo pai era dono de uma escola da dança espanhola. Também causou impacto a apresentação do guitarrista Paco de Lucia, entretanto Stevens não toca o flamenco tradicional, mas incorpora música eletrônica e outros recursos porque acredita que a música precisa se renovar. Ele já chegou a dizer que sempre sentiu o flamenco como um tipo de heavy metal acelerado para violões.

Em seu segundo álbum solo, Flamenco A Go-Go, lançado em 2000, misturou vários estilos além do flamenco, como rock, dance, new age e música japonesa,  utilizando guitarra flamenca, violões com cordas de nylon, loops de baixo e bateria, samples, sons ambientes, aparelhos midi e muitos efeitos nas guitarras elétricas.

Stevens, também fã de rock progressivo, aprecia a fusão de estilos e gosta de inserir novos elementos em sua música, por isso declara especial interesse em trabalhar com músicos que tem abordagens diferentes da sua, como o artista da música eletrônica Ben Watkins. Com o músico e produtor britânico participou do projeto performático Juno Reactor, gravando dois CDs em que contribuem músicos de diferentes partes do mundo.

Em 2000, Stevens reuniu-se novamente com Levin e Bozzio para gravar o disco Situation Dangerous. E em 2008, lançou seu terceiro disco solo, Memory Crash. Atualmente Stevens usa a guitarra Gibson Les Paul com o captador humbucker Rebel Yell Steve Stevens Signature da fábrica Bare Knuckle Pickups, réplica de um captador antigo da Gibson. Para Stevens, o trunfo desse captador é manter a afinação do seu instrumento. Continua também tocando com seu antigo parceiro Billy Idol e se dedicando a seus projetos solos e a parcerias como o Juno Reactor.

4 Responses to “O grande guitarrista Steve Stevens, virtuosismo e sensibilidade pop na dose certa”

  1. Fala Gabriel,

    Parabéns pelo seu blog cara. Está muito bom, e que ótimo que está cheio de informações. Dá vontade de ler tudo mesmo.

    Ah, e o gosto musical está excelente!!! hehehe

    Abraço

  2. Priscilla Says:

    Não sabia que ele tocou Dirty Diana do Michael, que demais!

  3. Muito bom mesmo parabéns.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: