Vinnie Moore faz sucesso em Brasília

 

Foto: Gabriel Palma

O workshop de Vinnie Moore em Brasília foi muito bom!!! Praticamente lotou o auditório do SESC. Vinnie alternou entre responder perguntas da plateia e tocar músicas antigas e do disco novo, To The Core.

Capa de To The Core

Vários guitarristas da cidade marcaram presença como Pablo Vilela, das bandas Red Old Snake e Dynahead, Diogo Mafra, também do Dynahead, Henrique Henriques Moreno Moura, Marcelo Elias, Marcelo Buby, Rodrigo Vegetal, do Projeto Horta, Bruno Albuquerque, da banda Joy, Rodrigo Karashima, da banda Let It Beatles. Foram também muitos adolescentes conhecer de perto um dos guitarrista ícones dos anos 80.

 

Equipamento

Vinnie tocou uma guitarra Dean USA Vinnie Moore Signature Vinman 2000 Trans Red (que chamou de esposa) e uma branca (que chamou de namorada).

Para amplificador, usou o brasileiro Maverick. “Você tem que tomar cuidado. É um dos mais altos que já ouvi! Tem um timbre muito limpo”.

Vinnie utiliza o pedal de Wah-Wah Cry Baby da Dunlop, mas com moderação. Ele comentou que estava lançando mão do recurso em excesso e revelou que agora chega a caminhar em direção ao pedal no palco e recua para não abusar do wah-wah.

O pedal MXR Carbon Copy Analog Delay também é acionado com moderação, só para dar um eco quando para de tocar e não para ser ouvido durante a execução. Vinnie acha que muitos guitarristas são dependentes demais do delay. “Não saem de casa sem ele, como se fosse seu cobertor”, opinou.

Utiliza um pedal de afinação TU-2 da Boss, não para afinar, mas para cortar o som com o efeito bypass.

 

Da esquerda pra direita: MXR Carbon Copy Delay - T Rex Replica Delay - Arion SCH-1 Chorus - Ibanez Tube Screamer - Boss Octave Pedal - Dunlop Wah - Boss TU-2 Tuner... todos com Voodoo Lab Pedal Power 2.

Influências

Perguntaram a Vinnie quais foram as suas influências. Ele disse que começou a tocar por causa de Led Zeppelin, Black Sabbath e Brian May do Queen. Foi depois que descobriu Jeff Beck, autor do primeiro solo que aprendeu, da música Blue Wind.

Vinnie contou que ainda não sabia fazer bends e então executou o solo de Blue Wind nota por nota. Como só tocava esse trecho e o riff de Smoke On The Water, de Deep Purple, sua mãe, não aguentando mais ouvir só essas duas músicas, perguntou: “Você não pode aprender outras coisas?”.

E ele aprendeu. Conseguiu um professor particular que abriu sua cabeça e ensinou a teoria básica de música, incluindo exercícios com escalas. Vinnie disse que seu professor começou como rockeiro mas que foi indo mais para o jazz, chegando a ter aulas com Pat Martino, um dos mais importantes guitarristas desse estilo.

 

Um guitarrista da audiência citou a influência de Vinnie na música eletrônica com seu trabalho mais atual e perguntou se isso teria ligação com os guitarristas Pat Metheny e Mike Stern, que embora voltados para o jazz, introduziram elementos da música eletrônica nas suas composições. Vinnie negou essa relação e qualquer intenção de desenvolver um trabalho voltado para o jazz.

Diante da insistência de outra pergunta sobre o assunto, ele disse que prefere o rock. Coincidência ou não, mais tarde tocou uma música que ficava gritando “rock!” entre um riff e outro. No final, explicou que aquilo tinha sido ideia do colega brasileiro Aquiles Priester, ex-baterista da banda Angra e atual da Hangar, e brincou: “Primeiro ele pediu que falasse ‘jazz'”. Ao que alguém da plateia gritou: “Samba!”.

 

Sobre a carreira musical, Vinnie aconselhou o músico a fazer o que ele ama, ter uma banda e esperar que as portas se abram. Entre os guitarristas novos que ele gosta citou Ron “Bumblefoot” Thal, atualmente com Guns n’ Roses. Eu perguntei a ele sobre o guitarrista John 5. Ele disse que tem um de seus discos e que fica feliz porque John o cita como influência em entrevistas.

 

Brasil

Vinnie disse que não tinha vindo antes ao Brasil por falta de convite. O que o trouxe agora foi uma turnê com a banda UFO, …. Os workshops, em Brasília, São Paulo e Santa Catarina, foram articulados por Aquiles Priester.

 

No caso de Brasília, quem organizou foi o guitarrista Marcelo Barbosa, do GTR Instituto de Guitarra. Foi no GTR que eu conheci o trabalho de Vinnie Moore ao tocar trechos das músicas Hero Without Honor, do primeiro disco solo, Mind’s Eye, de 1987, e Morning Star, do segundo disco solo, Time Odyssey, de 1988, duas composições com muitos arpejos e escalas, boas para treinar a técnica junto com o metrônomo.

Capa de Time Odyssey

 

Essas músicas foram requisitadas a Vinnie Moore, mas elas não estão mais em seu repertório. Ele comentou que, no começo da carreira, seu trabalho era mais voltado para a técnica, com uma forte influência na música clássica, mas que ele diversificou com o passar dos anos.

Um ponto alto do workshop foi quando Vinnie tocou a música Daydream, segunda faixa do disco Mind’s Eye.

Durante o workshop Vinnie tocou Rain, do disco The Maze, de 1999; Time Traveler, de Out Of Nowhere, de 1996, entre outras. Ele encerrou com Meltdown, do disco homônimo de 1991.

Alguém da plateia chegou a comentar que os críticos comparavam o trabalho de Vinnie Moore com o guitarrista sueco Yngwie Malmsteen por ambos tocarem no estilo neoclássico. Vinnie concordou mas ressaltou que tocava assim no início da carreira mas que havia mudado e Malmsteen, não.

O modo de tocar rápido rendeu algumas piadas. “Eu que achava que no Brasil só tinha jogador de futebol, mas descobri que tem muitos shredders“, disse, referindo-se ao termo atribuído a guitarristas que gostam de velocidade no instrumento, os “fritadores”, como são conhecidos aqui.

Brincando com a plateia, Vinnie contou que Aquiles tem uma teoria de que em qualquer lugar que você vá no Brasil, vai encontrar pelo menos uma pessoa com uma camisa do Iron Maiden. E no auditório não poderia ser diferente. Um rapaz vestia uma estampa da banda. “Maiden land”, Vinnie disse, referindo-se ao Brasil como terra do grupo britânico. E continuou brincando com isso, como quando não encontrava a pessoa que fazia a pergunta. “Você deveria ter vindo com uma camisa do Iron Maiden”.

Quando perguntado sobre suas expectativas em relação ao Brasil, disse que já tinha ouvido falar que aqui há muitas mulheres bonitas, o que confirmou ao chegar. Na plateia entretanto havia poucas mulheres e quando uma foi sair, Vinnie disse: “Não vá, não. Volte aqui”. Alguém perguntou se a guitarra tinha trazido garotas. “Veremos hoje à noite. Geralmente o estilo que eu toco afasta as mulheres”.

 

Vinnie Moore e Gabriel Palma

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