Volta aos anos 80 com Rob Marcello

Rob Marcello é uma daquelas figuras retiradas dos anos 80 que poderia se enquadrar tanto em integrantes de bandas como Poison, Faster Pussycat, Skid Row, Twisted Sister, Cinderella, só para citar algumas, como em personagens de filmes como Quanto mais idiota melhor (Wayne’s World), Airheads Os cabeças de vento e Bill & Ted Uma aventura fantástica (Excellent Adventure), de 1989, e Bill & Ted Dois loucos no tempo (Bogus Journey), de 1991.

Isso não é uma crítica. Eu cresci com essa cultura, que valoriza o visual glam, com direito a maquiagem, roupas coloridas e muito laquê no cabelo, e a aprecio mais do que a cultura grunge, que veio depois e lavou com água (sanitária) abaixo as cores dos anos 80. E substituiu essa moda por roupas comuns do dia-a-dia que, embora eu considere mais sem graça, para alguns é sinal de inteligência. Esses acham que os anos 80 foram supérfluos e apoiaram a volta do punk dos anos 70 na década de 90. (Minhas observações não negam a qualidade de grupos como Nirvana, Marilyn Manson ou mesmo Rancid e Green Day.)

Cheguei atrasado para o workshop de Rob Marcello, promovido pela Boss e pela loja Protec, na Bsb Musical da Asa Norte e já pude ter uma prévia de como estava lá dentro porque o estacionamento estava lotado! Precisei estacionar na outra rua. Entrando na Bsb, vi que as pessoas já pareciam não caber no auditório. Após entregar meu bilhete para participar do sorteio, não aceitei ficar do lado de fora daquele evento e fui pedindo passagem para entrar. Apesar das cadeiras estarem ocupadas, para minha surpresa ainda havia espaço para sentar no chão. Me aproximei do palco e me acomodei com a câmera, pronto para registrar o momento.

Gabriel Palma e Rob Marcello

O que já me deixou feliz foi ver que Rob estava usando uma camisa do Mötley Crüe, uma das minhas bandas favoritas do movimento glam dos anos 80. Ele realmente estava a caráter com seu cabelo loiro oxigenado armado com spray, jaqueta jeans rasgada, bandana pendurada na cintura com uma corrente, botas etc. A guitarra também expressava sua personalidade: preta com bolas brancas a la Stevie Ray Vaughan e Randy Rhoads. Rob estava totalmente à vontade no palco, rindo bastante e brincando com o auditório cheio.

Rob Marcello integra, desde 2003, a Danger Danger, banda do final dos anos 80, que já se apresentou com Kiss, Alice Cooper, Warrant, Extreme e já teve hits na MTV como Bang Bang, Naughty Naughty, Monkey Business e I Still Think About You. Rob já tocou com ícones da música como John Corabi, Bobby Blotzer, Mike Vescera (Yngwie Malmsteen e Loudness), Fergie Fredricksen (Toto), George Lynch (Lynch Mob e Dokken), Sebastian Bach (Skid Row) e Stet Howland (WASP), entre outros.

Na verdade, Rob, que nasceu em Estocolmo, na Suécia, onde tocava guitarra desde os 5 anos, ainda estava em seu país de origem quando foi descoberto por Ron Keel, vocalista de bandas como Steeler e Keel. Rob mostrou como é possível conseguir uma oportunidade por meio da internet, pois revelou que Ron Keel o chamou para integrar uma banda nos Estados Unidos depois que viu um vídeo dele na internet.

“A internet para o músico é boa e ruim, porque ele pode divulgar o seu trabalho, mas quando lança um disco, ninguém compra, baixa de graça”, lamentou.

Com Ron Keel, Rob participou da banda IronHorse, um tipo de metal country que admitiu não curtir muito, tendo tocado apenas no primeiro disco da banda, IronHorse, de 2001.

Em 2002, montou a banda Twenty 4 Seven com mais duas estrelas do hard rock. Nos vocais, John Corabi, que substituiu Vince Neil no Mötley Crüe durante parte dos anos 90, além de ter integrado outras bandas como The Scream, Ratt e Union, que fundou com Bruce Kulick, ex-guitarrista do Kiss. Na bateria e no baixo, Bobby Blotzer, baterista original do Ratt. Com o Twenty 4 Seven, Rob gravou Destination Everywhere, que recebeu elogios da crítica especializada e teve como produtor Mike Vescera.

Ainda em 2002, Rob conheceu Bruno Ravel, guitarrista do Danger Danger que mudou para o baixo quando Rob entrou na banda. O primeiro disco com Danger Danger foi gravado ao vivo em 2005, Live And Nude.

Em 2006, Rob contribuiu em 3 faixas no disco Carnival Of Lies, da banda Obsession, do vocalista Mike Vescera. Segundo a crítica o álbum difere do estilo hard que Rob está acostumado e tende para o heavy metal mais pesado.

Em 2008 gravou Marcello-Vestry, com o vocalista Frank Vestry (Devias e Last Temptation), que a crítica especializada classificou como bastante representativo do estilo. Ouvi esse disco e gostei muito. Recomendo!

E em 2009, gravou Revolve, seu primeiro disco de estúdio com Danger Danger. Ainda esse ano, Rob foi guitarrista da banda House Of Lords.

Equipamento

O workshop foi patrocinado pela Boss para promover as pedaleiras ME-25 e ME-70, cujos recursos Rob explorou no palco.

ME-25

A ME-25 é uma pedaleira para iniciantes mas que vem com vários recursos que até algumas pedaleiras mais profissionais não têm. Alguns são: Sound Library (biblioteca de sons), com timbres já prontos, clássicos e modernos; uma simulação de amplificadores COSM; interface de áudio USB; phrase loop com 38 segundos de gravação sem limites de loops; botão Super Stack que adiciona pegada e graves; download gratuito do software Librarian para criação de timbres no computador; pedal de expressão com função de volume, wah, pedal-bend e freeze; timbres podem ser editados com os knobs drive, tone e volume; acompanha o programa de gravação Sonar 8.5 LE. A Roland Corporation, proprietária da Boss, ganhou o prêmio do Musikmesse International Press Awards 2010 (Mipa), uma espécie de Grammy da indústria de instrumentos musicais e de áudio profissional, na categoria “Efeitos de guitarra” com a ME-25.

ME-70

A ME-70 é uma pedaleira profissional que apresenta uma nova seção de amplificadores COSM originados da GT-10 e dos pedais Legend Series; tem função EZ Tone; 25 knobs de acesso aos efeitos; quatro footswitches e um pedal de expressão com Wah, Voice, +1 Octave, -1 Octave, Mod Rate e Delay Level; e inclui função Phrase Loop com 38 segundos de gravação. Para ligar um efeito, basta pisar no footswitch correspondente, como em um set de pedais compactos. Eu tenho a ME-50, que é assim também e essa é uma das características que eu mais admiro nela!

Micro BR

Para tocar o playback de suas músicas, Rob utilizou o estúdio digital da Boss Micro BR, que toca faixas em MP3. “Você pode gravar um disco em seu quarto com ele”, comentou. Rob inclusive já criou faixas para o Micro BR disponíveis para download gratuito no site http://www.bossus.com.

Guitarra

Rob usa modelos da guitarra japonesa Caparison com captadores DiMarzio Tone Zone e Air Norton. Um dado curioso é a origem atribuída ao nome do captador Air Norton que teria vindo do sitcom norte-americano dos anos 50 The Honeymooners, que inspirou o desenho The Flintstones. Ed Norton era o melhor amigo do personagem principal dos Honeymooners, o louco por boliche Fred Kramden, que deu origem a Fred Flintstone.

Rob Marcello disse que não sabe muito sobre madeiras e que não tem preferência por um tipo específico de madeira, mas gosta de sons variados e pode distinguir os sons produzidos nas madeiras de suas guitarras. Os instrumentos que usou no workshop eram, um de amieiro (alder) e outro de mogno (mahogany).

Ele utiliza trastes jumbo, que exigem menos força para apertar as casas e para fazer bends (pressionar a corda sobre o traste e puxar para baixo ou para cima, aumentando a tensão da corda e elevando o a nota: 1 tom, 1/2 tom, 1/4 de tom). Para as cordas, Rob prefere Dean Markley 9-42, embora para gravar use 10, um encordoamento mais pesado, porque produz um som mais grave. “Eu acho que soa mais legal você dizer que usa 10. Mas não consigo. Tentei por 3 semanas e achei que a minha mão ia cair”, brincou.

Influências

Rob citou como influência Michael Landau, um lendário músico de estúdio de Los Angeles, que chegou a gravar milhares de discos de grandes gravadoras durante os anos 80 e 90. Alguns dos artistas com quem ele já trabalhou são: Seal, James Taylor, Helen Watson, Richard Marx e Miles Davis.

Outro Michael que Rob gosta é o guitarrista alemão Michael Schenker, da banda UFO e membro fundador dos Scorpions, com seu irmão mais velho, Rudolph Schenker. Michael Schenker já foi convidado para tocar com Aerosmith e Ozzy Osbourne, e na sua banda MSG (Michael Schenker Group) tocou com Cozy Powell, baterista do Whitesnake. Outro guitarrista que Rob admira é o blueseiro texano Stevie Ray Vaughan, de quem tocou uma música durante o workshop.

Fotos

Workshop: Gabriel Palma

Auditório e Rob Marcello com pedais: Sergio Motta

Fotos das capas de discos e dos produtos da Boss: Divulgação

Vídeos

Workshop: Gabriel Palma

One Response to “Volta aos anos 80 com Rob Marcello”

  1. Muito bom, adorei o artigo. Parabéns.

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