John 5 e Tom Morello sacodem São Paulo

Texto: Gabriel Palma

Fotos e vídeos: Renata Carvalho

Um dia ensolarado. Foi assim que começou o último domingo (16), dia em que os guitarristas norte-americanos John 5 e Tom Morello, o quarteto instrumental potiguar Camarones Orquestra Guitarrística e a guitarrista dinamarquesa radicada no Brasil Isa Nielsen tocaram no festival Samsung Best Of Blues, no auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O auditório é muito belo e característico das arquiteturas de Niemeyer. Ele tem uma marquise vermelha interessante.

Por volta das 16h, o clima do parque estava bem gostoso com pessoas sentadas na grama e outras passeando com seus cachorros, esperando o show começar.

Às 17h, horário marcado para a coletiva de imprensa, o frio típico de São Paulo veio. Deu para vestir a jaqueta de couro. Eu fiz amizade com o Bruno, fotógrafo do site Rock Meeting, porque ele estava usando uma camiseta do Mötley Crüe. Conversamos sobre a nossa apreciação pelo John 5.

Entrando na sala da coletiva de imprensa, veio aquela emoção quando o John 5 e o Tom Morello entraram, ambos de óculos escuros e chapéus: Morello com seu típico boné e 5 com um chapéu de cowboy. John estava com uma jaqueta com o patch nas costas da capa de Love Gun do Kiss, banda de seu coração. Ele também calçava um Tênis Iate, o mesmo que usaria durante seu show.

A minha esposa e fotógrafa, Renata Carvalho, me ajudou na formulação das perguntas.

Eu abri a coletiva, perguntando a John como ele conseguia conciliar o seu trabalho solo muito pessoal com a participação em discos de vários artistas. John disse que, quando não está em turnê com Rob Zombie, hora em que Rob se dedica a dirigir filmes, ele colabora com outros artistas. “Eu faço pelo amor à música. Eu já toquei com os caras do Lynyrd Skynyrd e sou amigo deles até hoje”, disse John.

Perguntado sobre quem é o público que frequenta seus shows solo, John respondeu: “Fãs de Manson, de Zombie, de música country. É um público eclético. Vêm muitas crianças. Eu me surpreendo quando vejo um bebê (risos)”.

Um jornalista perguntou a Morello como ele conseguiu mudar a maneira de tocar guitarra, fazendo isso de modo percussivo e com muitos efeitos. “Eu era o DJ do Rage Against The Machine”, respondeu Morello. “Tom mudou a guitarra”, disse John.

Morello também mandou sua opinião política. “Como no nosso país, os Estados Unidos, o Brasil está passando por uma crise democrática. O assassinato não resolvido da Marielle Franco é uma violação de direitos humanos. Eu quero expressar a minha solidariedade e apoio a todos os brasileiros que defendem os pobres, a classe trabalhadora, o meio ambiente e lutam contra o fascismo. Essa tem sido a mensagem da minha música há 25 anos e a que terei hoje no palco e no futuro”.

O guitarrista do Rage Against The Machine também falou sobre a sua participação como avatar no videogame Guitar Hero. Ele disse que passou a ter muitas crianças como fãs e a ser parado em supermercados pelas mães. “O outro dia no Brasil, um cara me parou na rua e disse: ‘Eu ganhei de você no Guitar Hero'”, disse Morello. “Você é um homem errado (risos)”, respondeu o guitarrista.

Morello falou sobre seu primeiro disco solo, The Atlas Underground, com lançamento previsto para o dia 12 de outubro. “Eu quis criar uma conspiração sônica com artistas de diferentes gêneros musicais e sexuais, etnias e idades para fazer um disco de harmonia e solidariedade. Um encontro de tribos.”

Também perguntaram a Morello se ele tinha alguma aspiração política a concorrer a um cargo público nos Estados Unidos. O pai de Morello, o queniano Ng’ethe Njoroge, participou da Revolta dos Mau-Mau, que promoveu a descolonização do Quênia da Inglaterra. E seu tio avô paterno Jomo Kenyatta foi o primeiro presidente eleito na história do Quênia. Morello disse que, em 1987, trabalhou para o senador norte-americano Alan Cranston. Nessa época ele viu que tudo girava em torno de dinheiro, o que o desagradou. “A democracia americana é dominada por dinheiro. E eu não quero ter um emprego em que eu tenha que puxar o saco de ninguém”, disse Morello.

A baixista do Camarones Orquestra Guitarrística, Ana Morena, disse que Morello é um grande inspirador ideológico e artístico.

Perguntaram a John qual foi o artista com que ele tocou que mais o surpreendeu. “Marilyn Manson. Todos os dias eram como Réveillon”.

Em uma das últimas perguntas, eu perguntei para John e Morello se eles não tinham planos de compor e gravar uma música juntos. “Nós deveríamos fazer isso agora antes do show”, eles responderam rindo. Morello disse que é fã de John desde a época em que ele tocou com a banda 2wo, com Rob Halford, vocalista do Judas Priest. Os dois gravaram um disco de metal industrial em 1998 com produção executiva de Trent Reznor do Nine Inch Nails e co-produção do canadense Dave Ogilvie, que participou da gravação do disco Generation Swine, do Mötley Crüe.

John também falou que já veio várias vezes ao Brasil e que ele gosta bastante porque as pessoas são muito gentis.

Encerrada a coletiva de imprensa, era hora do show. A banda Camarones Orquestra Guitarrística apresentou um show empolgante.

Era a vez do John 5. O músico entrou no palco com uma roupa totalmente branca e um aparelho na boca com luzes coloridas piscantes. Ele esbanjou em virtuosismo e performance em suas músicas solo. John tocou também um medley de várias músicas do rock como: Thunder Kiss ’65, do White Zombie, The Beautiful People, do Marilyn Manson, Killing In The Name Of, do Rage Against The Machine, Ain’t Talkin’ ‘Bout Love, do Van Halen, Kashmir, do Led Zeppelin, 2 Minutes To Midnight, do Iron Maiden, entre outras. 5 também tocou Enter Sandman, do Metallica, na íntegra, fazendo a linha vocal na guitarra e acompanhado de palmas da plateia.

Em seguida entrou Morello, o artista da noite que teve a maior reação da plateia. Antes de tocar Cochise, do Audioslave, ele a dedicou ao seu amigo Chris Cornell. Assim como John 5, Morello tocou Killing In The Name Of, com grande animação do público.

O evento foi realizado pela Samsung, pela Dançar Marketing e pelo Ministério da Cultura via Lei Rouanet. Agradecimentos especiais a Luiz Carlos Franco, da Primeira Página Assessoria de Comunicação e Eventos.

Setlist – Tom Morello no Samsung Best of Blues 2018

  1. It Begins Tonight
  2. One Man Revolution
  3. Cochise (Audioslave)
  4. 100 Little Curses (Street Sweeper Social Club)
  5. Vigilante Nocturno
  6. Little Chord Progression
  7. Mr. Crowley (Ozzy Osbourne cover)
  8. Your Time Has Come (Audioslave)
  9. Guerilla Radio (Rage Against The Machine) (versão alternativa)
  10. Ghetto Blaster (Street Sweeper Social Club)
  11. The Ghost of Tom Joad (Bruce Springsteen cover)
  12. The Road I Must Travel
  13. Sleep Now in the Fire (Rage Against The Machine)
  14. Killing in the Name (Rage Against The Machine)

YouTube

 

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