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Robert Smith: visual gótico e guitarra

Posted in Perfil with tags , , , , , , , , , , , , on March 19, 2010 by gabrielpalmaguitar

Robert James Smith nasceu em 21 de abril de 1959 na Inglaterra. Ele é o cantor, compositor, vocalista e único membro permanente da banda The Cure desde a sua formação em 1976. Além da guitarra, Smith toca também baixo, teclado, contra-baixo acústico, violino, flauta e trompete.

Infância


Smith é o terceiro de quatro filhos do casal Alex e Rita Smith. Seus irmãos são Richard, Margaret e Janet. Janet Smith é casada com Porl Thompson, o segundo guitarrista do The Cure. Ele e Smith alternam entre bases e solos. Robert Smith tem sido casado com seu romance de colégio Mary Poole desde 1988 e o casal optou por não ter filhos.

Casamento de Robert Smith e Mary Poole

Robert Smith foi criado como católico e frequentou Notre Dame Middle School e St. Wilfrid’s Comprehensive School em Crawley. Ele foi um bom aluno e obteve boas notas, mas a partir dos 11 anos quando começou a tocar guitarra o seu foco passou a ser a música. Ele foi influenciado por The Beatles, Nick Drake, Jimi Hendrix (ele tocou uma versão de Foxy Lady em Three Imaginary Boys, primeiro disco do The Cure), The Stranglers, The Ink Spots, Syd Barrett e David Bowie.

The Cure

Quando The Cure foi formada, Robert Smith não era seu vocalista e só passou a ser depois que o vocalista original deixou a banda. No final dos anos 70 e até meados dos anos 80, Smith compôs as músicas do The Cure em um órgão Hammond com um gravador de fita interno incluindo uma versão completa demo de 10:15 Saturday Night.

Robert Smith tem sido o principal compositor e letrista do The Cure em seus 30 anos de existência. Junto com Lol Tolhurst, escreveu músicas como The Lovecats, Let’s Go To Bed e The Walk.

Robert Smith lançou o quinto disco do The Cure, em 1984, enquanto era guitarrista da banda Siouxsie and the Banshees.

Persona e imagem

Nos anos 80, Robert Smith ajudou a popularizar a imagem gótica em seu modo de vestir com seu batom borrado no rosto, palidez, cabelo preto bagunçado, roupas pretas e tênis. De acordo com o baixista Steven Severin do Siouxsie and the Banshees, Smith começou a usar batom com o de Siouxsie Sioux depois que ele usou ópio. Apesar disso, Smith alega ter usado maquiagem desde criança e não gosta que as pessoas associem The Cure ao movimento gótico.

Robert Smith e Siouxsie Sioux: influência de ópio e batom vermelho

Os temas dos primeiros álbuns do The Cure tratavam de depressão, isolamento e solidão. Esses climas sombrios aliados com a persona no palco de Robert Smith consolidaram a imagem gótica à banda. Entretanto, a banda mudou de assustadora para psicodélica com o disco The Top, de 1984.

Em 1986, Smith mudou sua imagem na imprensa ao aparecer em público com cabelo curto espetado e camisas esportivas pólo. Embora as músicas do The Cure sejam depressivas, Smith declarou que não é assim que ele se sente durante a maior parte do tempo, mas que compõe quando está triste.

Estilo vocal

No começo da banda, Smith usou um estilo vocal suave nas demos de 10:15 Saturday Night e Boys Don’t Cry, e um estilo punk frenético em I Just Need Myself. Esses dois estilos foram deixados de lado quando um terceiro surgiu durante a produção do álbum debutante da banda, Three Imaginary Boys, de 1979. Esse novo som dos vocais pode ser ouvido nas versões finais das músicas e foi empregado até o álbum Bloodflowers, de 2000. Embora as pessoas tenham sempre taxado os vocais de Robert Smith de depressivos, ele também conseguiu cantar músicas felizes como Friday I’m In Love e Mint Car.

Estilo de composição

As composições de Robert Smith têm mostrado várias facetas e estilos diferentes durante os anos. No início incorporou paráfrases literárias da novela de Camus L’Etranger em Killing An Arab, metaficção punk em So What, surrealismo em Accuracy, rock/pop em Boys Don’t Cry e I’m Cold, e climas poéticos em Another Day e Fire In Cairo.

O estilo de compor de Robert Smith tomou um rumo mais pop depois de Pornography, quarto disco da banda, de 1982. Até as músicas mais upbeat têm temas dark, como a música In Between Days.

Robert Smith disse em uma entrevista que o som que ele mais gosta de fazer com The Cure é o que cria uma atmosfera. Ele não acha que exista um som típico da banda, mas sim vários sons que mudaram com o tempo e as formações diferentes da banda.

Colaborações

Robert Smith tem feito trabalhos fora do The Cure. Foi guitarrista do Siouxsie and the Banshees em 1979 e de 1982 a 1984. Teve um trabalho paralelo com o baixista dessa banda, Steven Severin, em 1983 chamado The Glove. Em 1980 cantou backing vocals na música The Affectionate Punch no álbum de estreia do The Associates, da gravadora Fiction Records, a mesma do The Cure na época. A música Cut Here, do The Cure, é sobre o suicídio de Billy Mackenzie, vocalista do The Associates, em 1997.

Em 1998, Robert Smith fez um projeto paralelo de uma música, A Sign From God, com Jason Cooper e Reeves Gabrels, guitarrista de David Bowie, sob o nome COGASM para o filme Orgazmo.

Em 2000 Smith contribuiu na faixa Yesterday’s Gone no disco solo de Reeves Gabrels Ulysses (Della Notte).

Em 2003 Smith colaborou com a banda pop punk Blink-182 na música All Of This.

Em 2004 Smith co-escreveu e cantou na música Truth Is da banda Tweaker de Chris Vrenna, antigo programador e baterista da banda industrial Nine Inch Nails e atual tecladista, compositor, produtor e engenheiro de som de Marilyn Manson.

Chris Vrenna com Gabriel Palma em São Paulo, 2007, na cobertura do Hotel Unique

Smith cantou com Junior Jack no hit de boate Da Hype e participou de seu remix no disco Trust It.

Blank & Jones remixaram A Forest com Smith nos vocais.

Smith também foi vocalista e co-autor de Perfect Blue Sky de JunkieXL.

Em 2005 Smith juntou-se com Billy Corgan, vocalista e guitarrista de The Smashing Pumpkins e Zwan, para um cover de To Love Somebody dos Bee Gees no primeiro disco solo de Corgan, TheFutureEmbrace.

Smith também cantou como convidado na faixa Come To Me no disco We Were Exploding Away da banda 65daysofstatic.

Aparições como convidado

Em 1993 Smith apareceu como ele mesmo no programa de comédia da BBC2 Newman & Baddiel In Pieces. Em um cemitério, Smith, que sofreu paródias constantes dos dois comediantes, dizia: “Nunca me senti tão miserável”.

Em 9 de janeiro de 1997, Smith subiu ao palco com David Bowie no concerto para comemorar os 50 anos de David Bowie em Madison Square Garden, Nova York, para fazer duo em duas músicas de Bowie: The Last Thing You Should Do e Quicksand.

Em 2004 Smith foi um dos três apresentadores convidados para John Peel no BBC Radio 1, uma semana antes da morte de Peel. Em novembro Smith subiu ao palco com Placebo no show de arena deles em Wembley para cantar a música de sucesso de Placebo Without You I’m Nothing e Boys Don’t Cry, do The Cure.

Ainda em 2004, Smith cantou em um show com Blink-182 All Of This e Boys Don’t Cry.

Em 2006 Smith com sua banda The Cure juntou-se à banda de new metal Korn em show acústico dessa para mesclar Make Me Bad, de Korn, com In Between Days, do The Cure.

Smith também está em um episódio de South Park, em que batalha com “Mecha” Barbra Streisand em uma luta que destrói por completo a cidade de South Park. Smith se assemelha muito com Mothra dos filmes de Godzilla, mas tem a habilidade do “soco de robô” para nocautear a versão Godzilla (Mecha) de Streisand. Em uma cena, ele chuta Cartman no meio das pernas para conseguir de volta seu walkie-talkie. No final do episódio, quando Smith caminha para o pôr do sol, Kyle opina que Desintegration é o melhor álbum de todos os tempos.

Robert Smith em South Park

Smith também é convidado na trilha sonora de Alice no Pais das Maravilhas de Tim Burton, Almost Alice, na faixa Very Good Advice, um cover de uma das músicas do Alice no Pais das Maravilhas original de 1951.

John 5: glamour, terror e muita guitarra

Posted in Perfil with tags , , , , , on February 27, 2010 by gabrielpalmaguitar

John William Lowery nasceu em 31 de julho de 1971 em Grosse Pointe, Michigan. John começou a tocar guitarra aos sete anos de idade inspirado por um programa de televisão que assistia com seu pai, Hew Haw com Buck Owens e Roy Clark. Seus pais apoiaram John com sua musica desde que ela não atrapalhasse o seu desempenho no colégio. Eles inclusive acompanhavam John nos shows que fazia em bares.

John deixou sua cidade natal e se mudou para Los Angeles aos 17 anos para ser musico de estúdio. Sua primeira banda em LA foi Alligator Soup, que o levou a ter um encontro importante com Rudy Sarzo, baixista na época da banda Whitesnake, que deu lhe alguma exposição.

John conheceu também o produtor Bob Marlette, que já havia trabalhado com artistas como Black Sabbath, Rob Halford e Tracy Chapman. Com Marlette, John trabalhou em inúmeros projetos de trilhas sonoras para programas de televisão e filmes como Speed 2: Cruise Control.

A cantora Lita Ford chamou John para sua banda em uma turnê que abriram para Kiss, uma paixão de infância de John, que tornou-se amigo dos membros, especialmente de Paul Stanley, tendo participado em seu disco solo de 2006, Live To Win.

John teve também um projeto de curta duração com o baterista Randy Castillo chamado Red Square Black. Eles chegaram a produzir um EP, mas John teve que abandonar o projeto quando foi selecionado entre 2000 guitarristas para tocar na turnê da cantora K.D. Lang.

Em 1996, John foi para seu primeiro teste para tocar com Marilyn Manson, mas chegou atrasado e o posto foi preenchido por Mike Timothy Linton, que ficou conhecido como Zim Zum.

Rob Halford e 2wo

John juntou-se então com Rob Halford, ex-vocalista da banda Judas Priest, e formaram a banda de metal industrial 2wo (Two). Com essa banda, lançou o disco Voyers remixado por Trent Reznor e lançado por sua gravadora Nothing Records, filiada à Interscope Records (Universal). O disco não foi um sucesso comercial mas produziu um vídeo para a música I’m A Pig. A banda saiu para turnê e fizeram parte do Ozzfest mas a turnê foi cancelada e a banda acabou.

David Lee Roth

O próximo projeto de John foi com David Lee Roth, ex-vocalista do Van Halen, quando participou em 1998 de seu disco solo The DLR Band. John era fã de Van Halen desde criança e, conhecendo o estilo, mandou seis músicas para o empresário de Roth. Tendo elas sido aprovadas por Roth, mandou mais. Os dois encontraram-se então para gravar The DLR Band. John foi chamado novamente por Roth em 2003 para o disco Diamond Dave em que contribuiu na faixa Thug Pop.

Marilyn Manson

Depois de gravar o disco Mechanical Animals Marilyn Manson estava novamente em busca de um guitarrista depois de ter dispensado Zim Zum durante as gravações. John foi novamente a um teste da banda e, depois de voltar de uma turnê na Europa com Rob Halford, recebeu uma ligação do empresário de Manson perguntado se ele gostaria de almoçar com o Anticristo. Nesse almoço, Manson convidou John para entrar na banda, dando a ele o nome John 5. Com o novo nome, John embarcou na turnê de Mechanical Animals, tendo a sua primeira apresentação com a banda sido no MTV Vídeo Music Awards de 1998.

John aparece em vários vídeos de Mechanical Animals como em Rock Is Dead e Coma White. Em 1999, saiu um disco ao vivo de gravações das turnês Mechanical Animals e Rock Is Dead de Marilyn Manson com John nas guitarras. Esse disco chegou a vender duas milhões de cópias mundialmente e alcançou a posição 82 no The Billboard 200 de 1999. Essas turnês também renderam o vídeo God Is In The TV que contêm imagens das apresentações ao vivo.

O disco Holy Wood (In The Shadow Of Death Valley) foi o primeiro disco de estúdio de Manson a ter a participação de John 5, que ajudou a escrever 15 das 19 músicas. Esse álbum atingiu a posição número 13 no Billboard 200 e vendeu 427 mil cópias nos Estados Unidos até dezembro de 2001. John 5 ganhou um visual à altura dos conceitos desse disco que foi lançado em 13 de novembro de 2000, cerca de um ano depois do massacre na Columbine High School em 20 de abril de 1999. A mídia e os políticos americanos culparam Manson alegando que os adolescentes assassinos teriam se inspirado na sua musica e imagem gótica. Manson em contrapartida atacou a América conservadora cristã e a mídia, ao ressaltar a obsessão americana por armas, religião e fama, esta última ligada a pessoas que morreram em aparições públicas e que tiveram suas mortes romantizadas pela mídia, transformando-as em mártires, como John F. Kennedy. John 5 pode ser visto nos vídeos das músicas Disposable Teens, Fight Song e The Nobodies, além do vídeo Guns, God and Government World Tour, com imagens de shows nos Estados Unidos, Rússia, Japão e Europa, lançado em 29 de outubro de 2002.

O próximo e último disco de estúdio de Marilyn Manson com John 5 foi The Golden Age Of Grotesque, de 2003, em que John compôs com os outros membros 13 das 15 músicas. Esse disco debutou em número um no The Billboard 200, vendendo 120 mil cópias na primeira semana. Entretanto foi o disco número um que menos vendeu no ano. Nesse ano, ele foi disco de ouro na Austrália, Áustria, França, Alemanha e Suíça. Em novembro de 2008, o álbum já tinha vendido 526 mil cópias.

Depois da turnê para promover esse disco, John decidiu partir caminhos com Marilyn Manson. Embora eles tenham tido um mal entendido durante uma performance no Rock AM Ring de 2003, quando Manson ao pular pelo palco chutou John, que por sua vez largou sua guitarra e fez gestos para Manson chamando-o para uma briga, John alega que a separação foi amigável e que ele teria reagido de maneira não profissional no palco devido a problemas na sua vida pessoal, ele havia perdido alguns parentes nessa época.

Carreira solo

Embora John não fosse mais da banda de Manson, em 2004 foi lançado a coletânea Lest We Forget com singles, alguns da época de John. Esse disco vendeu três milhões de cópias mundialmente. Nesse ano, John lançou seu primeiro disco solo, Vertigo, e já tendo fama mundial devido a sua temporada com Marilyn Manson, pôde mostrar suas habilidades com a guitarra, em músicas que variavam do estilo heavy metal ao country, grande influência de John. Uma característica que o diferenciou de outros guitarristas do gênero de música instrumental é que John aproveitou o seu visual gótico e os temas das músicas, tanto nos nomes, fazendo referências a serial killers, assim como Manson, como nas melodias e texturas, tornando-as aterrorizantes e divertidas.

John seguiu essa linha com seu segundo álbum solo, Songs For Sanity, que teve a participação inclusive de Steve Vai. Desde que entrou para Marilyn Manson, John já era figura carimbada nas revistas especializadas de guitarra, mas agora mais do que nunca John havia se consagrado como um dos grandes guitarristas da atualidade por causa de seu grau de profissionalismo, postura artística e técnica.

Durante a época de Mechanical Animals com Manson, John teve um endorsement da Ibanez com a guitarra AX Custom. Não tendo se entedido com a companhia Ibanez, John preferiu ter o endorsement da Fender que conseguiu na época de The Golden Age Of Grotesque com Manson e tem até hoje. Já foram produzidas várias guitarras da Fender para John com algumas alterações mas sempre em torno do mesmo modelo: a Telecaster, uma paixão de John. Outras características em comum dessas guitarras é que elas são todas pretas com acabamento brilhante e tem um protetor de palhetas cromado.

Rob Zombie

John teve uma breve passagem com a banda Loser, entretanto precisou abandonar o projeto quando foi chamado para ser guitarrista de Rob Zombie. John excursionou com Zombie no Ozzfest de 2005 e escreveu 9 das 11 músicas do disco Educated Horses, de 2006, junto com Rob Zombie e o produtor Scott Humphrey, além de ter tocado guitarra em todas as músicas. John aparece nos vídeos de American Witch e Foxy Foxy. O disco Zombie Live, lançado em 2007, o primeiro ao vivo de Rob Zombie, teve a música The Lords Of Salem indicada para o Grammy na categoria Best Hard Rock Performance com a guitarra de John marcando forte presença. Zombie já declarou que estava pronto para deixar a indústria musical antes de conhecer John.

Ainda em 2007, John lançou seu terceiro disco solo, The Devil Knows My Name, com guitarristas convidados como Joe Satriani, Jim Root (Slipknot, Stone Sour) e Eric Johnson. Esse disco teve a participação também dos outros membros da banda de Rob Zombie, Piggy D., no baixo, e Tommy Clufetos, na bateria, mostrando a união dessa banda. Esse disco rendeu um DVD instrucional de guitarra homônimo com cenas eróticas e violentas.

Em 2008, John lançou seu quarto disco solo, Requiem, em que, além da guitarra, tocou baixo e contou ainda com Tommy Clufetos na bateria. Em 2009, John lançou um CD de remixes de suas músicas instrumentais solo com samples em cima chamado Remixploitation. A capa desse álbum presta homenagem à capa do terceiro e último disco de Jimi Hendrix, Electric Ladyland. Em 2 de fevereiro de 2010, Rob Zombie lançou seu segundo álbum de estúdio com John 5, Hellbilly Deluxe 2. As guitarras de John estão muito presentes nesse disco. Ainda esse ano, John pretende lançar seu quinto disco solo, The Art Of Malice. Atualmente John se encontra em turnê com Rob Zombie e participando de clínicas de guitarra.

O grande guitarrista Steve Stevens, virtuosismo e sensibilidade pop na dose certa

Posted in Perfil with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on January 26, 2010 by gabrielpalmaguitar

Steve Stevens nasceu Steven Schneider, em 5 de maio de 1959, no bairro do Brooklyn, em Nova York e formou-se em música, com especialização em guitarra, na renomada escola Fiorello H. LaGuardia School Of Performing Arts (NYC) em 1977. Dois anos depois, integrou sua primeira banda profissional – One Hand Clap, apresentando-se nos clubes de Long Island e, mais tarde, a Fine Malibus da cidade de Nova York. Jimmy Miller, produtor dos primeiros álbuns dos Rolling Stones, gostou do grupo e decidiu levá-los para o estúdio Compass Point, em Nassau, Bahamas. O disco, entretanto, nunca foi lançado, o que levou o guitarrista a deixar a banda. A primeira gravação a chegar no mercado ocorreu em 1981, quando participou do disco solo Let Me Rock, de Peter Criss, ex-baterista do Kiss, que incluiu uma composição de Stevens – First Day In The Rain.

No mesmo ano, Ric Aliberte, empresário do Fine Malibus, apresentou Stevens a Billy Idol, que havia deixado a Inglaterra por Nova York, e negociou a participação do guitarrista na banda de Idol. A combinação do punk de Idol com o hard rock de Stevens, a dance music e a produção musical de Keith Forsey, deu muito certo: levou esses três ao sucesso e, com o benefício do fenômeno MTV, transformou Idol em superstar.

Nessa fase Stevens gravou com Idol três discos em que compôs e tocou, não só guitarra mas também teclados e sintetizadores. O título Billy Idol (1981) atingiu Disco de Ouro em 1983 e Rebel Yell (1983) chegou ao sexto lugar no US Billboard 200. Foi na música título desse disco em que Stevens registrou pela primeira vez seu famoso efeito ray gun, criado por acidente quando, ao brincar com um pedal de delay novo, descobriu que ele gerava uma oscilação que chamou de ray gun em referência ao barulho emitido pelas armas laser dos filmes de ficção científica, uma paixão do guitarrista.

Mais tarde, Stevens desenvolveria a tecnologia para incorporar o efeito a uma guitarra Hamer assinada por ele. Ainda em Rebel Yell, Stevens aplicou outra técnica que se tornou também sua marca, que é tocar simultaneamente as cordas graves e as agudas da guitarra, utilizando a palheta para as cordas graves e os dedos médio e anelar da mão direita para puxar as cordas agudas (Mi e Si). Ele emprega a mesma técnica na música Dementia do disco Flamenco.A.Go.Go (1999).

Introdução de Rebel Yell

Trecho de Dementia

Continuação de Dementia

Para Stevens, foi apenas com o single Eyes Without A Face, lançado em maio de 1984, que a dupla realmente atingiu o sucesso. Do terceiro disco, Whiplash Smile (1986), saíram três singles – To Be A Lover, Sweet Sixteen e Don’t Need A Gun – tendo o primeiro chegado ao sexto lugar do Billboard nos Estados Unidos. Seja pelas diferenças musicais entre Idol e Stevens ou por ciúmes do primeiro em relação ao destaque que o segundo começou a ganhar, os dois músicos se separaram por vários anos.

Hamer SS-1

Hamer SS-2

Na época com Billy Idol, Stevens usou principalmente a guitarra Hamer. A fábrica criou um modelo especialmente para ele em 1984, o Steve Stevens I (SS-1), com corpo talhado em mogno hondurenho (madeira valorizada por seu timbre e ressonância), uma ponte Floyd Rose, um captador humbucker e dois single coil. A base para esse instrumento foi a Gibson Les Paul Jr. (modelo usado por Pete Townshend, do The Who, e Billy Joe Armstrong, do Green Day) e a Jackson/Charvel “Glow”, que mais tarde foi o ponto de partida para o desenvolvimento das Washburn assinadas por ele. Na carreira solo voltou a usar também a Gibson Les Paul, geralmente com acabamento preto brilhante.

Em 1987, Stevens chamou a atenção de outro astro pop, Michael Jackson, que o convidou para tocar a música Dirty Diana no álbum Bad. No clipe dessa música, Stevens usa a Hamer SS-3 que tem luzes que pulsam em sincronia com o efeito ray gun. Stevens desenvolveu essa tecnologia na sua Hamer SS-2, que pode ser vista na apresentação do Live AID, quando toca Revolution, dos Beatles, com os Thompson Twins e Madonna.

Ainda em 1987, Stevens ganhou um Grammy na categoria Pop Instrumental Performance pela colaboração com o tecladista Harold Faltermeyer na música Top Gun Anthem, da trilha sonora de Top Gun – Ases Indomáveis, que permanece no número 1 do The Billboard Top Pop Albums durante 5 semanas.

Em 1989, lançou seu primeiro álbum solo, Atomic Playboys, bem recebido pela crítica especializada. Em 1991, criou com Michael Monroe, ex-vocalista do Hanoi Rocks, a banda Jerusalem Slim e gravou CD com o mesmo nome, lançado no Japão. A banda, entretanto, não vingou.

Em 1993, Stevens trabalhou com a fábrica de guitarras Washburn para criação das guitarras Steve Stevens Signature Series. Foram feitas três versões: duas produzidas no atelier de Chicago, dedicado à construção de instrumentos personalizados – a SS80 e a mais rara SS100 – e a terceira, SS40, fabricada em grande escala na Coréia. Nesses instrumentos os captadores são angulados, fazendo referência a Jimi Hendrix, que invertia a posição da guitarra construída para destro, adaptando-a à sua condição de canhoto. A SS80 e a SS100 trazem os captadores Seymour Duncan JB Trembucker. O modelo principal da SS100 tem no corpo glow-in-the-dark uma aerografia de Steve Driscoll com a imagem do Frankenstein encarnado no cinema por Boris Karlof.

Stevens desenvolveu também o modelo Barbarella da SS100, com o efeito ray gun e a luz que pisca. O trabalho de pintura de Jim O’ Connor incorpora um dos pôsteres do filme da heroína criada por Jean-Claude Forest.

Stevens acabou ficando só um ano com Washburn. Sua saída foi atribuída extra-oficialmente à sua exigência em acompanhar o controle de qualidade dos instrumentos que levavam sua assinatura, o que não era possível com instrumentos construídos fora dos Estados Unidos, como era o caso da SS40.

Em 1992, o vocalista Vince Neil, que acabara de deixar o Mötley Crüe, entrou no estúdio para gravar a música You’re Invited (But Your Friend Can’t Come) para a trilha do filme Encino Man (Homem da Califórnia). No ano seguinte, Neil fechou um contrato de 4 milhões de dólares com a Warner Bros. para a produção do disco Exposed e novamente convidou Stevens, que gravou as guitarras e o baixo. Exposed chegou à décima terceira posição do Billboard americano. Stevens viajou em turnê com Neil para lançar o CD, abrindo para Eddie Van Halen, que o introduziu à guitarra Ernie Ball Music Man EVH.

Em 1994, Stevens teve uma breve reunião com Billy Idol para gravar a música Speed para a trilha sonora do filme homônimo (Velocidade Máxima).

Em 1997, Stevens se juntou com o baixista Tony Levin (da banda de Peter Gabriel e do King Crimson) e com o baterista Terry Bozzio (do grupo de Frank Zappa) no projeto Bozzio Levin Stevens e gravaram o disco instrumental Black Light Syndrome. Esse CD mostra a versatilidade de Stevens para tocar em vários estilos além do rock, sendo o flamenco um favorito do guitarrista.

Stevens e Billy Idol se reuniram novamente em 1999 para turnês nos Estados Unidos e na Austrália e para gravar os programas Storytellers e Behind The Music para a emissora VH1. Em Storytellers, eles contam a história por trás de cada música antes de tocá-la em versão acústica, à exceção das últimas músicas, que são plugadas. Essa volta foi um sucesso e a parceria com o produtor Keith Forsey dura até hoje, tendo resultado no lançamento de coletâneas e do CD Devil’s Playground, com músicas inéditas em 2005.

A paixão pela música flamenca começou com um dos primeiros professores de Stevens, que era um guitarrista flamenco, e foi reforçada na convivência com o colega com quem tocava no colégio, cujo pai era dono de uma escola da dança espanhola. Também causou impacto a apresentação do guitarrista Paco de Lucia, entretanto Stevens não toca o flamenco tradicional, mas incorpora música eletrônica e outros recursos porque acredita que a música precisa se renovar. Ele já chegou a dizer que sempre sentiu o flamenco como um tipo de heavy metal acelerado para violões.

Em seu segundo álbum solo, Flamenco A Go-Go, lançado em 2000, misturou vários estilos além do flamenco, como rock, dance, new age e música japonesa,  utilizando guitarra flamenca, violões com cordas de nylon, loops de baixo e bateria, samples, sons ambientes, aparelhos midi e muitos efeitos nas guitarras elétricas.

Stevens, também fã de rock progressivo, aprecia a fusão de estilos e gosta de inserir novos elementos em sua música, por isso declara especial interesse em trabalhar com músicos que tem abordagens diferentes da sua, como o artista da música eletrônica Ben Watkins. Com o músico e produtor britânico participou do projeto performático Juno Reactor, gravando dois CDs em que contribuem músicos de diferentes partes do mundo.

Em 2000, Stevens reuniu-se novamente com Levin e Bozzio para gravar o disco Situation Dangerous. E em 2008, lançou seu terceiro disco solo, Memory Crash. Atualmente Stevens usa a guitarra Gibson Les Paul com o captador humbucker Rebel Yell Steve Stevens Signature da fábrica Bare Knuckle Pickups, réplica de um captador antigo da Gibson. Para Stevens, o trunfo desse captador é manter a afinação do seu instrumento. Continua também tocando com seu antigo parceiro Billy Idol e se dedicando a seus projetos solos e a parcerias como o Juno Reactor.